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Quem me conheceu antes desse ano sabe bem que eu dei uma bela engordada esse ano. Vida sedentária mais comidas gordinhas, o resultado é obvio: muitos quilos. Mas pra que contar isso? Simples, resolvi emagrecer (e já se foram oito quilos! \o/) e comer menos e mais saudável foi o começo óbvio. Assim, o saco de doce de leite da tarde virou uma fruta ou uma barrinha de cereal.

Aliás, a partir de agora, uma fruta apenas. Tudo por que hoje, quando fui comer uma barrinha Trio de Banana com Chocolate, me deparei com isso:

Foto_111109_007

Pode não ser a melhor foto do mundo, mas está bem claro, que tem uns ovinhos de alguma coisa bem nojenta ali. E se você olhar com atenção vai ver tipo umas teias de sei lá o que, do lado. E era uma simples barra de cereal Trio. Nada demais. Noventa centavos na loja do lado de casa.

Mas nada que justificasse. Por recomendação dos amigos do trabalho (que aliás, ficaram com bastante nojinho daquilo) olhei a data de validade e diz: 12/12/2009. Mais de um mês ainda e está desse jeito.

Não cogitei, peguei a outra barrinha que eu tinha guardado e joguei fora na hora. Sem nem abrir. Se uma está assim, o processo de fabricação pode contaminar as outras, certo? Eu dei o azar de pegar uma em estado avançado (e saltando pelo chocolate).

Não sou de fazer confusão e nem reclamar demais contra empresas, produtos e serviços. Me fornecendo o que eu comprei, sou um cliente feliz e satisfeito. Mas eu comprei um lanche da tarde. E ganhei um criadouro de vermes nojentos. Credo.

P.S. E pra não dizerem que eu sou azarado e pronto, vejam o caso da @amandademetrio Parecido, não?

peterA Wikipedia diz que Peter Pan “é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas”. Assim, ter o comportamento dessa personagem de J. M. Barrie seria algo como uma Síndrome de Peter Pan?

Desde que me mudei para São Paulo e vim morar sozinho, escuto minha mãe me chamar de Peter Pan. Porém, depois dos 25 esse apelido passou a fazer muito sentido. E também a me fazer pensar bastante.

Olho alguns dos meus amigos da época de colegial, e estão casados, com suas casas próprias, seus bichos de estimação. Alguns até já falam em filhos! E eu, estou aqui, ainda bem parecido com o que eu era alguns anos atrás. Talvez algumas baladas a menos.

Mas chegar perto dos 30, me fez e faz pensar e dar certo medo. E se estiver chegando o momento de ficar adulto definitivamente eu que não quero encarar? E se eu virar um tiozão ridículo, com pança e ainda de all star, jeans e camiseta (combinação dos sonhos, e praticamente meu uniforme, diga-se de passagem)?

Ok, os tempos são outros e bla bla bla mas, para comparar, com a minha idade, minha mãe era casada, com casa própria, dois filhos, formada e concursada do Banco do Brasil. Mas onde eu quero chegar com isso tudo?

Nessa mudança que eu vivo e faço parte. Meus amigos que estão casados seguiram a risca o formulário padrão. Eu não. Isso não significa que eu seja um transgressor. Significa apenas que faço parte de um novo tipo de formulário. Aquele que você se preocupa ao mesmo tempo com o novo armário da cozinha e em comprar uma camiseta bacana. Que a conta de luz divide espaço com as despesas em cosmopolitan em bares legais. E com cerveja em butecão também.

Uma geração adulta, com alma de jovem. Nas palavras da @mjcoffeholick sobre o assunto:

@mjcoffeeholick

E pegando, por fim, a experiência materna, uma frase que sintetiza um pouco essas idéias. “Você tem juízo o bastante para ser desajuizado”. Continua…

Privadas

privadas

Você conversa no banheiro? Eu, para ser muito honesto, não consigo. Tanto para fazer #1 quanto #2, eu preciso de concentração. Mas tem gente que não. Aliás, conheço algumas pessoas que conversar, inclusive ajuda bastante. Mas, falar sobre o que? A resposta está na nova websérie, Privadas.

Criação de Fábio Montanari (um veterano que conheci por vias psicológicas), Privadas mostra dois amigos de escritório em seu bate papo diário direto do banheiro, cada um em sua cabine. Com os mais diversos assuntos – de ética a loteria – tratados com um humor bastante leve, a websérie consegue arrancar risadas de maneira muito fácil, espontânea.

Além do ótimo roteiro, outro destaque do projeto é para a atuação de Rafael Coelho e Fábio Lucindo. Como os dois estão fechados em cabines, toda a expressão corporal dos atores é feito pelos pés, que se movem de acordo com suas falas de uma maneira muito legal.

Vale demais uma passada em Privadas.tv e assistir. Ah, e acompanhar pelo Twitter também.

P.S. É realmente muito legal assistir a um projeto tão bem feito desenvolvido por pessoas que você conhece. Além do Fábio, fazem parte da equipe técnica outros dois ecanos que conheço há tempos: Marcelo Botta na produção, Otávio Rossato na trilha sonora e Fernando Zarpa, com webdesign.

Cover Versions

Com todo respeito com a @andreahiranaka e seu querido Music Pills, mas eu também ouço música. Ok, meu gosto é conhecidamente duvidoso, a ponto te me olharem esquisito por saber letras de coisas como Baila Comigo, Ragatanga ou Prometida. Mas ainda assim vai um post sobre covers. Sei lá eu o motivo, sai em busca deles e com a ajuda do @FilipeAugusto, selecionei umas coisinhas pra dançar na cadeira enquanto trabalha.

Cake – I Will Survive

Leighton Meester – Betty Davis Eyes

Travis – Hit Me Baby One More Time

Franz Ferdinand – Womanizer

Glee – Somebody to Love

Valeu tb @nilsonjr pelas sugestões e pelo Chico Anyyyyysio que não sai da minha cabeça =P

Escarlate

Para quem não sabe, sou uma cria da Universidade de São Paulo. Para ser preciso, ainda concluo as ultimas disciplinas e o TCC de um cruso iniciado em 2004. E posso sem dúvida alguma afirmar, algumas das melhores lembranças da minha vida são da ECA e meus anos como ecano participativo. Por isso, quando trombei com a Escarlate (na verdade, ela trombou comigo, por meio de um convite no Orkut), bateu um saudosismo gostos e fui atrás.

E a resposta, não poderia ser melhor. O projeto, todo desenvolvido por alunos da ECA, tem como a missão de divulgar a produção cultural que existe dentro da USP.

Parêntese Um lugar do tamanho da USP, com cursos exclusivamente voltados para as artes e com produção artística em todos os demais tem, pra ser bonzinho, uma divulgação pífia. O resultado são exposições vazias, peças gratuitas cheias de cadeiras sem ninguém, museus que vivem um marasmo sem fim. E nem os veículos estudantis, como o Jornal do Campus que eu fiz parte, nem os oficiais como o Jornal da USP, TV USP, Rádio USP e por ai vai, suprem bem esse papel. Fecha parêntese.

Quem explica melhor o projeto, é a editora de cinema, Yasmin Abdalla, do 1º ano de jornalismo. “O site surgiu com a idéia de criar um local onde nós pudéssemos produzir. Estamos em um curso de jornalismo, mas é incrível como escrevemos pouco. Temos o São Remo no primeiro semestre, mas não há uma produção escrita contínua nesse laboratório. Além disso, é incrível também como tanta coisa legal que acontece na USP acaba passando despercebida. Queríamos a oportunidade de não só nos informarmos sobre esses eventos, como também divulgá-los”

A equipe, de seis editores define em conjunto a pauta, mas, nas palavras de Yasmin, “Assuntos com um lado humano mais aflorado são priorizados”. Com editorias de música (Christiane Silva), Dança (Denise Eloy), Artes Plásticas (Camila Camilo), Literatura (Lívia Furtado), Cinema (Yasmin Abdalla) e Teatro (Alexandre Dall´Ara – e finalmente um menino. Quem disse que jornalismo cultural é coisa de mulher? Hehe), a revista está chegando a sua segunda edição com textos críticos e uma agenda com o tudo que se produz de bom na USP.

Se interessou? Siga o twitter ou acesse o site da Escarlate.

Norma

norma-denise-fraga-436Estreou ontem na Globo, o novo programa da Denise Fraga. Já tinha lido bastante sobre ele. Até usar o case como apresentação no trabalho eu já usei (e a apresentação está aqui). Mas uma confissão bem sincera: apesar de curioso, ainda não tinha entendido qual era a dessa interação com o público e tal.

Assim, me submeti ao suplício de ver o Fantástico (ou melhor, ele ficou passando enquanto eu fazia outras coisas) para esperar. E olha só: valeu demais a pena.

Norma, pra começar, tem a Denise Fraga. Atriz MEGA talentosa, sou fã de tudo que ela faz. Gostava de Retrato Falado, aquele quadro de futebol em época de Copa (e olha que eu acho futebol boring pra caramba), enfim, do trabalho dela mesmo.

O tchans do programa, porém, que eu não tinha entendido, ficou claro: a interação. Além das cenas de estúdio normais da história, foi criado um misto de cenário com auditório que retrata o Instituto de Pesquisa que Norma trabalha. E é nesse cenário que a mágica acontece: sempre que caímos num dilema da vida de Norma, Denise tira os óculos – e a personagem – e assume seu papel de provocar o debate a interação com o público ali presente. E dessa discussão, saem soluções que serão aproveitadas nas cenas seguintes.

Um exemplo simples: o primeiro encontro de Norma com a personagem de Dan Stulbach. Na discussão sobre que roupa usar nesse encontro, foi falado de sandália de salto alto, vestido curto e decotado. E eis que na cena seguinte ela surge com essa roupa no tal primeiro encontro.

Uma solução simples, mas ainda não utilizada. A velha discussão do sofá entrou na TV e interfere diretamente na vida da personagem. É a promessa de interatividade sendo cumprida de maneira bastante simples: com inteligência.

Assisti, gostei, virei fã mesmo. E estarei com certeza ligado nos próximos. Curtiu também: veja mais no Site do Norma, no Twitter, ou no Blog da Denise Fraga.

Expo Stickers 09

Stickers

Anote na agenda: sábado, dia 3, abertura da Expo Stickers 2009. Não sabe o que é? Vamos lá: reunião mundial de sticker arte, com 200 artistas de 27 países do mundo todo. Organizado pelo designer e artista de rua Jair Guilherme e pela produtora cultural Liliane Ferrari (de quem sou fã confesso e leitor compulsivo, leio até as dicas para mãe, para mulher, tudinho mesmo)

A abertura, na fachada da El Cabriton terá intervenção do designer Souzacampus (que decora minha mesa com um Oscar desde a última premiação, no começo do ano). De São Paulo, a exposição itinerante vai pra São Carlos e depois Curitiba, Buenos Aires, Belo Horizonte, Porto Alegre e Miami. Para saber mais, site oficial: http://expostickers.org

#25+

Já que eu decidi reativar isso aqui ontem, com textos sobre tudo e todos, vamos começar com festa né? Chopp Sol quente? Marcos Mion fazendo piadinha sem graça? Affff

Vai, levantaê e vamos pra Bouncing Sylvia, a melhor festa ever (e olha que festa de RP quicante não tem como ser ruim!)…

Ah, não tá sabendo de nada? Pega o flyer aqui e vambora! E pra esquentar seu dia até a festa, as mixtapes oficiais do quarteto de DJs (hahahahah parece os três tenores 2.0) @syferrari, @luizyasuda, @andreahiranaka e @RobertoWolvie.

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Filadélfia

Filadélfia
- Eu sei que é isso mesmo que eu quero.
- Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.
- Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.
Cláudio e Pedro se beijaram. Furiosamente. O desejo que exalava dos dois dava a impressão de que nunca tinham feito aquilo. Em partes, era verdade. Pedro, tímido ao extremo, nunca tinha sequer pegado na mão de outra pessoa que não sua mãe e seus primos. Aos 14 anos, quando todos os amiguinhos começavam a brincar de beijar na boca, ele corria para casa, alegando muita lição de casa para fazer.
Agora, aos 18 recém completados, estava ali. Uma casa completamente estranha com Cláudio. O primeiro contato entre os dois foi, na verdade bastante inocente. Pedro queria um tênis novo e Cláudio, com 22 anos, estava lá, atendendo, todo solicito. A simpatia foi mútua e imediata. O que seria uma compra rápida no meio da tarde, demorou quase uma hora inteira em discussões sobre qual seria o melhor modelo do calçado.
Na tarde seguinte, quase que involuntariamente, Pedro estava lá, em frente á loja de calçados, olhando Cláudio atender um grupo de menininhas adolescentes. A troca de olhares, muito discreta e um leve aceno de cabeça do vendedor foram o bastante pra Pedro tomar coragem e entrar.
Uma conversa sobre tênis para disfarçar e descobriram interesses mútuos. Elvis, Beatles, Superman, química orgânica. Assuntos aleatórios que os aproximavam mais e mais.
- Eu saio as oito daqui. Quer ir ao cinema comigo hoje?
As pernas de Pedro tremeram, a boca secou. Quase sem respiração, ele aceitou. Um encontro. O primeiro da sua vida seria dali a algumas horas. Despediu-se e correu para casa, a apenas algumas quadras daquele shopping, para se arrumar. Tomou um banho, saiu enrolado na toalha e completamente nu se olhou no espelho. Não que tivesse coragem para fazer qualquer coisa, mas o único pensamento que passava por sua cabeça era o quanto se achava desinteressante fisicamente. Nunca que Cláudio iria querer algo a mais com ele.
Ao chegar no cinema, não pode deixar de notar que Cláudio, mesmo saindo do trabalho e apenas subindo um lance de escadas até o cinema tinha se dado ao trabalho de se arrumar. O cabelo, milimetricamente despenteado, uma camiseta preta e um jeans. De costas, batendo o pé no chão.
- Cláudio…
- Você está lindo.
Com o rosto vermelho pelo elogio, Pedro entrou na fila, compraram os ingressos, o filme era Filadélfia, e foram para a sala. Na saída, se perguntassem para qualquer um deles qual era o enredo, nenhum saberia dizer. Não que tivessem feito qualquer coisa dentro da sala. Mas a tensão de estar ali, lado a lado um com o outro sem a necessidade de disfarçar como na loja de calçados, tirou qualquer reação de ambos.
Na saída, sem pensar Cláudio dispara.
- Quer ir para a minha casa? Eu moro sozinho.
Pedro, também sem pensar aceitou. No caminho, um silencio completo, só quebrado pelo som dos outros carros passando. Dirigindo rápido, Cláudio chegou em casa, abriu a porta para Pedro, que entrou com receio de tocar em qualquer coisa, hábito que trazia desde a infância.
Olhos nos olhos se aproximam e um abraço forte os une. Minutos e minutos assim.
- Eu nunca fiz isso antes.
Nova troca de olhares, carinho no rosto um do outro.
- Eu sei que é isso mesmo que eu quero.
- Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.
- Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.
E assim, num beijo longo e cheio de desejo que seus corpos se encontraram e permitiram, sem pudor ou vergonha, que suas almas se unissem, como as verdadeiras almas devem se unir e se integrar. Plenamente.

- Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

- Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

- Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

Cláudio e Pedro se beijaram. Furiosamente. O desejo que exalava dos dois dava a impressão de que nunca tinham feito aquilo. Em partes, era verdade. Pedro, tímido ao extremo, nunca tinha sequer pegado na mão de outra pessoa que não sua mãe e seus primos. Aos 14 anos, quando todos os amiguinhos começavam a brincar de beijar na boca, ele corria para casa, alegando muita lição de casa para fazer.

Agora, aos 18 recém completados, estava ali. Uma casa completamente estranha com Cláudio. O primeiro contato entre os dois foi, na verdade bastante inocente. Pedro queria um tênis novo e Cláudio, com 22 anos, estava lá, atendendo, todo solicito. A simpatia foi mútua e imediata. O que seria uma compra rápida no meio da tarde, demorou quase uma hora inteira em discussões sobre qual seria o melhor modelo do calçado.

Na tarde seguinte, quase que involuntariamente, Pedro estava lá, em frente á loja de calçados, olhando Cláudio atender um grupo de menininhas adolescentes. A troca de olhares, muito discreta e um leve aceno de cabeça do vendedor foram o bastante pra Pedro tomar coragem e entrar.

Uma conversa sobre tênis para disfarçar e descobriram interesses mútuos. Elvis, Beatles, Superman, química orgânica. Assuntos aleatórios que os aproximavam mais e mais.

- Eu saio as oito daqui. Quer ir ao cinema comigo hoje?

As pernas de Pedro tremeram, a boca secou. Quase sem respiração, ele aceitou. Um encontro. O primeiro da sua vida seria dali a algumas horas. Despediu-se e correu para casa, a apenas algumas quadras daquele shopping, para se arrumar. Tomou um banho, saiu enrolado na toalha e completamente nu se olhou no espelho. Não que tivesse coragem para fazer qualquer coisa, mas o único pensamento que passava por sua cabeça era o quanto se achava desinteressante fisicamente. Nunca que Cláudio iria querer algo a mais com ele.

Ao chegar no cinema, não pode deixar de notar que Cláudio, mesmo saindo do trabalho e apenas subindo um lance de escadas até o cinema tinha se dado ao trabalho de se arrumar. O cabelo, milimetricamente despenteado, uma camiseta preta e um jeans. De costas, batendo o pé no chão.

- Cláudio…

- Você está lindo.

Com o rosto vermelho pelo elogio, Pedro entrou na fila, compraram os ingressos, o filme era Filadélfia, e foram para a sala. Na saída, se perguntassem para qualquer um deles qual era o enredo, nenhum saberia dizer. Não que tivessem feito qualquer coisa dentro da sala. Mas a tensão de estar ali, lado a lado um com o outro sem a necessidade de disfarçar como na loja de calçados, tirou qualquer reação de ambos.

Na saída, sem pensar Cláudio dispara.

- Quer ir para a minha casa? Eu moro sozinho.

Pedro, também sem pensar aceitou. No caminho, um silencio completo, só quebrado pelo som dos outros carros passando. Dirigindo rápido, Cláudio chegou em casa, abriu a porta para Pedro, que entrou com receio de tocar em qualquer coisa, hábito que trazia desde a infância.

Olhos nos olhos se aproximam e um abraço forte os une. Minutos e minutos assim.

- Eu nunca fiz isso antes.

Nova troca de olhares, carinho no rosto um do outro.

- Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

- Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

- Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

E assim, num beijo longo e cheio de desejo que seus corpos se encontraram e permitiram, sem pudor ou vergonha, que suas almas se unissem, como as verdadeiras almas devem se unir e se integrar. Plenamente.

Solidão

Escrito originalmente em 08/08/09

Eu tenho medo real de ficar sozinho. E sozinho, é muito mais do que sem pessoa alguma. Em uma casa vazia, por exemplo, sempre existe o recurso de ligar a televisão. Aquelas pessoas todas, jornalistas, apresentadores, atores, artistas, quando ligamos a TV passam a fazer parte das nossas vidas imediatamente. E a solidão some.

Solidão é ficar sem pessoas e, principalmente, sem comunicação. A pior das solidões é a falta de ter com quem – mesmo que você apenas ouça, como na TV – se comunicar. Esse isolamento me faz pensar. No silêncio, o cérebro fervilha de idéias, de vontades, atitudes heróicas que nunca serão tomadas, frustrações que nunca serão discutidas. O vazio provoca o pensamento que leva ao confronto consigo mesmo.

E foi assim que passei o dia de hoje. Sozinho. Pensando, matutando e me deparando com um desejo quase tão antigo quanto a minha própria vida: o da escrita. A necessidade de ver as idéias tentando se unirem em algo lógico por meio das letras, das palavras, das frases, dos parágrafos, de um texto.

Quase sempre o resultado é desastroso. Ou então eu que seja crítico demais comigo mesmo. Quando criança, queria ser um escritor daqueles que criam ficção infanto juvenil. Crimes a serem desvendados, viagens a outras culturas, tudo isso, para mim era ser um escritor. Os anos passaram, a introspecção aumentou, ai vi que ser escritor era dar vazão a um desejo de gritar, de xingar, de bater, de mandar o mundo todo à puta que pariu. Mas essa introspecção sumiu. E, cercado de vida alheia ao meu redor, deixei esse desejo de lado. Deixei a escrita e as idéias escritas de lado.

Hoje, na solidão, esse desejo veio à tona com a força de uma avalanche. E não tinha como lutar. Sentei e escrevi e senti. E estou sentindo. E não, não está sendo ruim. Uma vontade de colocar todos os pensamentos e todas as idéias em palavras escritas. Amanhã ficarei sozinho de novo. Espero que a vontade não suma mais. Nunca mais.

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